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Fertilidade Mora ao Lado

Fertilidade Mora ao Lado

As consultas na PMA - e a confiança na equipa

Quando vamos a uma consulta de infertilidade, vamos com as defesas em baixo, sensíveis, expomos uma parte de nós (literalmente também :p) fragilizada, com um desejo que tarda em cumprir. A equipa que nos atende deve estar sensibilizada para isto. Ou deveria. Há profissionais que são tudo menos afetivos, podem ser muito bons no que fazem, mas são frios, falta qualquer coisa. Normalmente, as pessoas precisam, além dos tratamentos, de alguma força, uma palavra amiga, pois não raras vezes os tratamentos falham e falham e andamos lá um bom par de meses, paa não dizer anos. A moral começa a desvanecer. Mas lá está, não há uma norma. Há pessoas que também preferem fazer tudo muito discretamente, que aparentemente não desmoralizam e não querem grandes atenções - médicos diretos ao assunto sem grandes floreados são o que preferem.

No nosso caso, confesso que tenho mixed feelings - temos uma médica muito simpática e optimista - demasiado na minha opinião, porque quando as coisas falham e ela continua com um sorriso e a motivar porque tudo vai correr bem, apetece-me tudo menos sorrir. Aulas de body combat ou qualquer desporto violento ajudam nestas alturas! Ainda assim, ela é amorosa e ajuda muito ser optimista. Tem sempre uma palavra de encorajamento e acho que precisamos disso. Consultámos dois outros médicos - um completamente louco, no sns, que me fez perder qualquer crença na hipótese de ser acompanhada no público. Foi mesmo uma história muito peculiar (lá está, também tivemos pontaria, poderia ter-nos calhado um médico amoroso, mas não). O outro médico, diretor do serviço num hospital privado de referência, foi óptimo na minha opinião - ou foi o que precisava numa altura em que já nao acreditava muito nos tratamentos, ia arrastada e tentava ocultar os meus sentimentos, para não sofrer mais. Foi direto, sem grandes floreados, é para fazer isto assim, se resultar boa, se não, nova volta, mas será a última antes de fiv, porque o corpo não aguenta mais. Foi seco, mas foi o que precisei naquele dia, naquele mês. O tratamento falhou, voltámos à médica que nos segue desde o início (só recorremos a ele porque ela estava de férias), mas fiquei sempre com a dúvida se não deveríamos estar a ser acompanhados por alguém mais frio. Temos amigos a ser acompanhados por esse médico que odeiam em termos de relação pessoal, mas adoram em termos práticos. Nunca ninguém está satisfeito, é a verdade.

Nesta segunda ronda de tratamentos de infertilidade, quando queremos muito dar um mano/a à princesa e vemos os meses a passar e a passar, começo a pensar novamente no profissional que nos acompanha e no que será melhor. Só porque começo a quebrar. Até aqui, ainda me fui aguentando bem (sem choros nem nada, da primeira vez acho que chorava em todas as consultas), agora começo a sentir o desgaste.

É só um devaneio. Continuaremos com a querida doutora que nos tem acompanhado e recebido sempre com um sorriso. Simplesmente, há dias em que não nos apetece sorrir. Mas é só uma nuvem a passar, o sol volta a brilhar :)

 

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