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Fertilidade Mora ao Lado

Fertilidade Mora ao Lado

Mais um mês mais uma voltinha

A chatice de tratamentos de infertilidade é que podem arrastar-se durante meses e meses e meses. A esperança, essa, nunca morre. Pode esmorecer, mas não morre. Está cá sempre. E nós, instantaneamente, damos por nós a fazer contas. Ah, se este tratamento funcionar, o bebé nascerá lá para Junho. Ok, é um bom mês. Calor, roupinhas leves, lava-se e seca-se tudo num instante, etc. 

Depois, já não basta o corpo trair as nossas expectativas, ainda há os factores externos. Pequena princesa de sua mãe apanhou uma virose. Na semana em que o folículo ainda não estava muito crescido, pelo que há que continuar a injectar cenas para dentro de mim, há nova consulta para avaliar. Pequeno folículo cresceu de modo estranho e pouco. Talvez seja melhor fazer análises para ver o que se passa (no meio da consulta, pequena princesa a fazer febres em casa com o pai, refiro à médica que não me dá mesmo muito jeito ir fazer análises - demanda que leva sempre perto de uma hora até conseguir vez - pois tenho que ir para uma urgência com a pequena). Acabamos a falar da virose que assola a nossa casa e que efetivamente também não me tenho sentido na melhor forma. Tratamento finalizado. Assim. Mais um balde de água fria. Ok. Vamos apostar tudo, novamente no próximo mês.

A nossa vida reparte-se de formas curiosas. Dia a dia vivido ao máximo com a princesa. Assim que dorme, e nas semanas indicadas, tratamos do que esperamos venha a ser um futuro mano, picas, comprimidos, whatever. A periodicidade mensal chateia, mas faz parte, temos que respeitar o organismo. O fim-de-semana repartido para família e amigos. O trabalho durante a semana. As várias agendas. Respeitar todas, retirar de todas o máximo proveito que conseguimos. A vida é muito curiosa e efetivamente só há um modo de ser vivida plenamente - com amor, com dedicação.

Quando a tua amiga te anuncia que está grávida

Das coisas que mais me custam neste processo (é a minha experiência, não falo por outras mulheres, somos todos diferentes), é ouvir da parte de quem me é próximo e a quem quero bem - estou grávida! Fico muito feliz e muito triste ao mesmo tempo. Coloco o meu maior sorriso e não poderia ficar mais contente por aquela família que está a crescer. Mas também cresce em mim um sentimento de frustração enorme. Lembro-me naquele momento que os tratamentos se andam a arrastar, que a médica alertou para o facto de poder ainda demorar bastantes meses, de que a princesa está linda, a crescer a uma velocidade alucinante, e um mano/a seria uma bênção para todos nós. Um ser para amar e partilhar connosco todo o amor que temos dentro de nós.

Lidar com amigas grávidas todos os dias é um processo de aprendizagem. É um processo que nos desafia, que trás ao de cima o melhor de nós, porque só podemos estar felizes. Só podemos transmitir a nossa alegria, o nosso amor por ela, pelo bebé que carrega consigo. A tristeza/frustração tem que ficar fechada dentro de nós, porque na realidade ninguém tem culpa dessa situação.

Mas custa. Custou há três anos atrás. Continua a custar agora.