Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fertilidade Mora ao Lado

Fertilidade Mora ao Lado

Um bebé - um sonho adiado

Outro tratamento falhado. Não se percebe bem porquê, não houve novamente ovulação. Apesar de isto ser recorrente, andamos sempre com testes de ovulação atrás, mais análises, mais medicação, tudo a que se tem direito. Duas idas semanais ao hospital (privado, não comparticipado, dói - me o coração de cada vez que me apresentam a conta) para fazer contagem de folículos, ver o seu crescimento. Há dias bons neste processo, em que temos a força do mundo connosco. Há dias menos bons, em que questionamos tudo. Hoje até o acompanhamento da parte do marido ponho em causa. Porque não o sinto presente, porque as tarefas do dia a dia em casa desgastam, por tudo e por nada. Estou sentada na sala de espera da pma a aguardar consulta. A sala está cheia. Eu sinto-me cheia também, de dúvidas e angústias.

Esta um sol maravilhoso lá fora e se há coisa que sei é que sairei daqui e o sol voltará a brilhar dentro de mim (piroso,  mas é mesmo isto). Para já só um bocadinho de revolta por nada funcionar junto com um receio de que não venha de todo a funcionar.

Relativizar - a princesa linda está na escolinha, há casais a demorarem anos a conseguir uma vitória e nao baixam os braços,  não esmorecem. Não desistem e lutam sempre com um sorriso. Força para todos nós.

Hemorróidas - como lidar com este problema?

É quase um tema tabu. Ninguém vai trabalhar e diz que não está muito bem porque tem hemorróidas. Há uma certa vergonha associada a este facto. Como explicar ao colega, ao chefe, que não se está muito bem sentado, em pé também não dá muito jeito, bem bem está-se é deitado. É desafiante, no mínimo.

Uma das coisas simpáticas que a primeira gravidez me trouxe foi isto mesmo - hemorróidas. Não fazia ideia do que era isto e quando fui à urgência e o médico me diz - "oh menina, vou só por-lhe a bolinha para dentro e depois vai ter que fazer o mesmo em casa está bem?" pensei, kill me now. blargh. Mas como tenho para mim que não podemos dizer estas coisas negativas, resignei-me e optei somente por amuar. Fiquei uns dias em repouso, a tomar medicação, a colocar um creme e a bolinha para dentro e passou.  A chatice foi que, após a princesa nascer, a temida bolinha voltou a aparecer. Normalmente com creme, a situação dura três diazinhos e passa. Há pessoas que têm mesmo que fazer intervenções para tratar dela(s). Pessoas queridas, é uma situação tão desconfortável, que não desejo a ninguém e não imagino sequer a dor de quem as tem bem mais problemáticas do que as minhas. Não olhem de lado para pessoas que tenham este "problema". Não é contagioso, não tem a ver com falta de higiene e é doloroso e incómodo que chegue para quem passa por isto.

PS. Na realidade há pessoas que assumem este problema sem grandes dramas. Conheço até quem refira que tem problemas de rabo :)

Relações Sexuais Programadas

Quem anda por este mundo de tratamentos para fazer bebézinhos lindos e fofos, sabe bem o que é ter um dia e hora marcado para ter RS. Confesso que nesta segunda volta de tratamentos, este facto já não me causa tanto desconforto, mas ainda assim, como levar todo o amor que temos dentro de nós, o romance envolvido, para um acto com marcação prévia?

Custou-me horrores nos primeiros tratamentos que fiz, era algo que para mim não era natural, era "fabricado", tive muita dificuldade em desempenhar um papel decente neste aspecto. Mesmo muita. Pobre marido, que se esforçava para eu não me sentir tão mal e não ter um ar de "é agora ou nunca" em cada acto programado.

A realidade é que, com o passar do tempo (e deve ajudar bastante, apesar de desejarmos muito mais filhos, a descontracção de já ter uma princesa), a programação de RS já não causar estranheza e até conseguir lidar com isso como se fosse espontâneo. O que é bemmm melhor. Sem pressão. Se funcionar funciona, se não, não é o fim do mundo.

A todos os que andam nesta senda, muita força e descontracção, efetivamente de nada ajuda uma postura mecânica. Aproveitem o amor. Aproveitem a vossa pessoa. Mimem a vossa pessoa. Sejam mimados. Simplesmente, sejam e estejam, sem pensar no futuro, nas possibilidades, nos desafios a ultrapassar.

As consultas na PMA - e a confiança na equipa

Quando vamos a uma consulta de infertilidade, vamos com as defesas em baixo, sensíveis, expomos uma parte de nós (literalmente também :p) fragilizada, com um desejo que tarda em cumprir. A equipa que nos atende deve estar sensibilizada para isto. Ou deveria. Há profissionais que são tudo menos afetivos, podem ser muito bons no que fazem, mas são frios, falta qualquer coisa. Normalmente, as pessoas precisam, além dos tratamentos, de alguma força, uma palavra amiga, pois não raras vezes os tratamentos falham e falham e andamos lá um bom par de meses, paa não dizer anos. A moral começa a desvanecer. Mas lá está, não há uma norma. Há pessoas que também preferem fazer tudo muito discretamente, que aparentemente não desmoralizam e não querem grandes atenções - médicos diretos ao assunto sem grandes floreados são o que preferem.

No nosso caso, confesso que tenho mixed feelings - temos uma médica muito simpática e optimista - demasiado na minha opinião, porque quando as coisas falham e ela continua com um sorriso e a motivar porque tudo vai correr bem, apetece-me tudo menos sorrir. Aulas de body combat ou qualquer desporto violento ajudam nestas alturas! Ainda assim, ela é amorosa e ajuda muito ser optimista. Tem sempre uma palavra de encorajamento e acho que precisamos disso. Consultámos dois outros médicos - um completamente louco, no sns, que me fez perder qualquer crença na hipótese de ser acompanhada no público. Foi mesmo uma história muito peculiar (lá está, também tivemos pontaria, poderia ter-nos calhado um médico amoroso, mas não). O outro médico, diretor do serviço num hospital privado de referência, foi óptimo na minha opinião - ou foi o que precisava numa altura em que já nao acreditava muito nos tratamentos, ia arrastada e tentava ocultar os meus sentimentos, para não sofrer mais. Foi direto, sem grandes floreados, é para fazer isto assim, se resultar boa, se não, nova volta, mas será a última antes de fiv, porque o corpo não aguenta mais. Foi seco, mas foi o que precisei naquele dia, naquele mês. O tratamento falhou, voltámos à médica que nos segue desde o início (só recorremos a ele porque ela estava de férias), mas fiquei sempre com a dúvida se não deveríamos estar a ser acompanhados por alguém mais frio. Temos amigos a ser acompanhados por esse médico que odeiam em termos de relação pessoal, mas adoram em termos práticos. Nunca ninguém está satisfeito, é a verdade.

Nesta segunda ronda de tratamentos de infertilidade, quando queremos muito dar um mano/a à princesa e vemos os meses a passar e a passar, começo a pensar novamente no profissional que nos acompanha e no que será melhor. Só porque começo a quebrar. Até aqui, ainda me fui aguentando bem (sem choros nem nada, da primeira vez acho que chorava em todas as consultas), agora começo a sentir o desgaste.

É só um devaneio. Continuaremos com a querida doutora que nos tem acompanhado e recebido sempre com um sorriso. Simplesmente, há dias em que não nos apetece sorrir. Mas é só uma nuvem a passar, o sol volta a brilhar :)