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Fertilidade Mora ao Lado

Fertilidade Mora ao Lado

um positivo, depois de um negativo

Tratamento de Janeiro efetuado, dia de fazer teste marcado, resultado de teste negativo. Ok. Faremos uma pausa e daqui a dois meses recomeçamos (estes tratamentos não são propriamente baratuchos). Não obstante o teste, andava mole e com demasiada fome. Muita fome e muito sono, sintomas de que nunca padeci na primeira gravidez, o que me fez ficar de pé atrás. Até que achei que duas semanas de dúvidas bastavam e fiz novo teste. Positivo. Wow. E agora? Muito feliz, com os pés bastante assentes na terra, e aterrada de medo. Medo de estar a roubar mimo à princesa, que só tem dois anos. Medo de ser demasiado para nós, e desatarmos a discutir porque o comando está fora do sítio, porque há demasiada roupa por arrumar, basicamente porque sim. MEDO. Mas, e não pensei nisso tudo antes? Pensei sim, mas só via o lado positivo, e agora estou tomada pelo pânico. Não ajuda senhor marido estar tomado por uma qualquer fúria que o faz passar metade dos dias aos berros. Porque a princesa não faz o que lhe mandam e tem que aprender que vai ter um irmão. Porque a princesa ignora os nossos pedidos e não pode ser. Sabem, eu estou com medo, mas não sou a única. Senhor marido ou está pior do que eu, ou não sabe gerir tão bem e descarrega na pobre princesa (a mãe vai sempre em seu socorro, o que me parece que vai acabar por ser contrapruducente).

Posto isto, yey. Calma. Estamos nas 7 sete semanas. Vamos ver se chegamos em bom às 12. E como correrá depois. Um dia de cada vez!

 

Tratamentos sem ansiedade

Há um ano atrás, quando voltamos ao hospital para tentarmos ter o nosso segundo filho, já levava quase um ano de tentativa de engravidar.  Ia cheia de esperança  se funcionou uma vez, vai funcionar uma segunda vez! Tinha um limite temporal  10 meses, o tempo que andamos em tratamentos are conseguir engravidar da primeira vez. Durante esses dez meses os tratamentos foram correndo e eu estava emocionalmente forte. Estável. Estava dentro do meu limite. Quando nos aproximamos dos dez meses, tudo desçambou. De tal maneira, que decidimos fazer uma pausa por dois meses, para tentar voltar a ficar emocionalmente mais estável. Na reta final de mais um tratamento, a ansiedade e a esperança coexistem na mesma medida. Se a esperança é desmesurada, a ansiedade também o é  Há terapia para o efeito, gostava muito de saber se realmente ajuda.  Fingers crossed e esperemos que não seja preciso aprender a viver com esta mistura de sentimentos. Boa sorte para todos os que andam nesta luta (e pelo que vejo na pma do hospital que frequento  somos bastantes..) 

Mais um mês mais uma voltinha

A chatice de tratamentos de infertilidade é que podem arrastar-se durante meses e meses e meses. A esperança, essa, nunca morre. Pode esmorecer, mas não morre. Está cá sempre. E nós, instantaneamente, damos por nós a fazer contas. Ah, se este tratamento funcionar, o bebé nascerá lá para Junho. Ok, é um bom mês. Calor, roupinhas leves, lava-se e seca-se tudo num instante, etc. 

Depois, já não basta o corpo trair as nossas expectativas, ainda há os factores externos. Pequena princesa de sua mãe apanhou uma virose. Na semana em que o folículo ainda não estava muito crescido, pelo que há que continuar a injectar cenas para dentro de mim, há nova consulta para avaliar. Pequeno folículo cresceu de modo estranho e pouco. Talvez seja melhor fazer análises para ver o que se passa (no meio da consulta, pequena princesa a fazer febres em casa com o pai, refiro à médica que não me dá mesmo muito jeito ir fazer análises - demanda que leva sempre perto de uma hora até conseguir vez - pois tenho que ir para uma urgência com a pequena). Acabamos a falar da virose que assola a nossa casa e que efetivamente também não me tenho sentido na melhor forma. Tratamento finalizado. Assim. Mais um balde de água fria. Ok. Vamos apostar tudo, novamente no próximo mês.

A nossa vida reparte-se de formas curiosas. Dia a dia vivido ao máximo com a princesa. Assim que dorme, e nas semanas indicadas, tratamos do que esperamos venha a ser um futuro mano, picas, comprimidos, whatever. A periodicidade mensal chateia, mas faz parte, temos que respeitar o organismo. O fim-de-semana repartido para família e amigos. O trabalho durante a semana. As várias agendas. Respeitar todas, retirar de todas o máximo proveito que conseguimos. A vida é muito curiosa e efetivamente só há um modo de ser vivida plenamente - com amor, com dedicação.

Quando a tua amiga te anuncia que está grávida

Das coisas que mais me custam neste processo (é a minha experiência, não falo por outras mulheres, somos todos diferentes), é ouvir da parte de quem me é próximo e a quem quero bem - estou grávida! Fico muito feliz e muito triste ao mesmo tempo. Coloco o meu maior sorriso e não poderia ficar mais contente por aquela família que está a crescer. Mas também cresce em mim um sentimento de frustração enorme. Lembro-me naquele momento que os tratamentos se andam a arrastar, que a médica alertou para o facto de poder ainda demorar bastantes meses, de que a princesa está linda, a crescer a uma velocidade alucinante, e um mano/a seria uma bênção para todos nós. Um ser para amar e partilhar connosco todo o amor que temos dentro de nós.

Lidar com amigas grávidas todos os dias é um processo de aprendizagem. É um processo que nos desafia, que trás ao de cima o melhor de nós, porque só podemos estar felizes. Só podemos transmitir a nossa alegria, o nosso amor por ela, pelo bebé que carrega consigo. A tristeza/frustração tem que ficar fechada dentro de nós, porque na realidade ninguém tem culpa dessa situação.

Mas custa. Custou há três anos atrás. Continua a custar agora.

O dia em que choras na consulta

E não, não é por um bom motivo.

Nesta segunda tentativa, ia muito mais forte, estável, sabia ao que ia, sabia que demorava. Até que começa a demorar. Os meses a passar, os tratamentos a falhar, o dinheiro a voar, a esperança a esmorecer. Hoje foi o dia. Hoje foi o dia em que percebemos que mais um tratamento falhou, em que se projetaram hipóteses de tratamentos, em que se falou de possível cirurgia, de FIV, e na minha cabeça começou tudo a ficar enevoado. Vamos mudar de tratamento, porque as últimas quatro tentativas falharam. Vamos começar com injecções, que há três anos atrás também não funcionaram, mas a ver como o corpo reage. Se falharem, logo vemos outras opções. Muita informação, decisões a tomar, e como sempre, a minha mente começa a não apanhar nada. A médica fala e eu só aceno, fica tudo turvo. Começa a apoderar-se de mim uma vontade enorme de chorar. Esforço-me para não o fazer, não vale a pena, já passei por isto, calma, respira, mas não dá. Chorei. A médica, querida, tenta animar-me, e eu só penso, não vale a pena, não faças isso, mas estava incapaz de lhe parar o discurso optimista. Só queria mesmo desaparecer.

Agora é hora de gerir as emoções, de respirar. Hoje vai ser um dia não, que isto é coisa para estragar o dia todo, mas amanhã estará tudo melhor. Aprender a respirar, a lidar com a frustração (engraçado, tenho que ensinar uma criança com dois anos a gerir a frustração, quando eu própria ainda não o consigo fazer), e continuar a lutar. Sempre.

A infertilidade é uma coisinha mesmo chata. No seu discurso para me animar, a médica referia que havia tantos casos bem piores que o meu. Mas isso em nada me animou. Tantos casais como nós a tentar ter uma coisa que para a maioria dos casais acontece espontaneamente. Não deveria ser assim. Porque não temos todos o corpo a funcionar plenamente? Questões que agora não adianta explorar.

Um bebé - um sonho adiado

Outro tratamento falhado. Não se percebe bem porquê, não houve novamente ovulação. Apesar de isto ser recorrente, andamos sempre com testes de ovulação atrás, mais análises, mais medicação, tudo a que se tem direito. Duas idas semanais ao hospital (privado, não comparticipado, dói - me o coração de cada vez que me apresentam a conta) para fazer contagem de folículos, ver o seu crescimento. Há dias bons neste processo, em que temos a força do mundo connosco. Há dias menos bons, em que questionamos tudo. Hoje até o acompanhamento da parte do marido ponho em causa. Porque não o sinto presente, porque as tarefas do dia a dia em casa desgastam, por tudo e por nada. Estou sentada na sala de espera da pma a aguardar consulta. A sala está cheia. Eu sinto-me cheia também, de dúvidas e angústias.

Esta um sol maravilhoso lá fora e se há coisa que sei é que sairei daqui e o sol voltará a brilhar dentro de mim (piroso,  mas é mesmo isto). Para já só um bocadinho de revolta por nada funcionar junto com um receio de que não venha de todo a funcionar.

Relativizar - a princesa linda está na escolinha, há casais a demorarem anos a conseguir uma vitória e nao baixam os braços,  não esmorecem. Não desistem e lutam sempre com um sorriso. Força para todos nós.

Hemorróidas - como lidar com este problema?

É quase um tema tabu. Ninguém vai trabalhar e diz que não está muito bem porque tem hemorróidas. Há uma certa vergonha associada a este facto. Como explicar ao colega, ao chefe, que não se está muito bem sentado, em pé também não dá muito jeito, bem bem está-se é deitado. É desafiante, no mínimo.

Uma das coisas simpáticas que a primeira gravidez me trouxe foi isto mesmo - hemorróidas. Não fazia ideia do que era isto e quando fui à urgência e o médico me diz - "oh menina, vou só por-lhe a bolinha para dentro e depois vai ter que fazer o mesmo em casa está bem?" pensei, kill me now. blargh. Mas como tenho para mim que não podemos dizer estas coisas negativas, resignei-me e optei somente por amuar. Fiquei uns dias em repouso, a tomar medicação, a colocar um creme e a bolinha para dentro e passou.  A chatice foi que, após a princesa nascer, a temida bolinha voltou a aparecer. Normalmente com creme, a situação dura três diazinhos e passa. Há pessoas que têm mesmo que fazer intervenções para tratar dela(s). Pessoas queridas, é uma situação tão desconfortável, que não desejo a ninguém e não imagino sequer a dor de quem as tem bem mais problemáticas do que as minhas. Não olhem de lado para pessoas que tenham este "problema". Não é contagioso, não tem a ver com falta de higiene e é doloroso e incómodo que chegue para quem passa por isto.

PS. Na realidade há pessoas que assumem este problema sem grandes dramas. Conheço até quem refira que tem problemas de rabo :)

Relações Sexuais Programadas

Quem anda por este mundo de tratamentos para fazer bebézinhos lindos e fofos, sabe bem o que é ter um dia e hora marcado para ter RS. Confesso que nesta segunda volta de tratamentos, este facto já não me causa tanto desconforto, mas ainda assim, como levar todo o amor que temos dentro de nós, o romance envolvido, para um acto com marcação prévia?

Custou-me horrores nos primeiros tratamentos que fiz, era algo que para mim não era natural, era "fabricado", tive muita dificuldade em desempenhar um papel decente neste aspecto. Mesmo muita. Pobre marido, que se esforçava para eu não me sentir tão mal e não ter um ar de "é agora ou nunca" em cada acto programado.

A realidade é que, com o passar do tempo (e deve ajudar bastante, apesar de desejarmos muito mais filhos, a descontracção de já ter uma princesa), a programação de RS já não causar estranheza e até conseguir lidar com isso como se fosse espontâneo. O que é bemmm melhor. Sem pressão. Se funcionar funciona, se não, não é o fim do mundo.

A todos os que andam nesta senda, muita força e descontracção, efetivamente de nada ajuda uma postura mecânica. Aproveitem o amor. Aproveitem a vossa pessoa. Mimem a vossa pessoa. Sejam mimados. Simplesmente, sejam e estejam, sem pensar no futuro, nas possibilidades, nos desafios a ultrapassar.

As consultas na PMA - e a confiança na equipa

Quando vamos a uma consulta de infertilidade, vamos com as defesas em baixo, sensíveis, expomos uma parte de nós (literalmente também :p) fragilizada, com um desejo que tarda em cumprir. A equipa que nos atende deve estar sensibilizada para isto. Ou deveria. Há profissionais que são tudo menos afetivos, podem ser muito bons no que fazem, mas são frios, falta qualquer coisa. Normalmente, as pessoas precisam, além dos tratamentos, de alguma força, uma palavra amiga, pois não raras vezes os tratamentos falham e falham e andamos lá um bom par de meses, paa não dizer anos. A moral começa a desvanecer. Mas lá está, não há uma norma. Há pessoas que também preferem fazer tudo muito discretamente, que aparentemente não desmoralizam e não querem grandes atenções - médicos diretos ao assunto sem grandes floreados são o que preferem.

No nosso caso, confesso que tenho mixed feelings - temos uma médica muito simpática e optimista - demasiado na minha opinião, porque quando as coisas falham e ela continua com um sorriso e a motivar porque tudo vai correr bem, apetece-me tudo menos sorrir. Aulas de body combat ou qualquer desporto violento ajudam nestas alturas! Ainda assim, ela é amorosa e ajuda muito ser optimista. Tem sempre uma palavra de encorajamento e acho que precisamos disso. Consultámos dois outros médicos - um completamente louco, no sns, que me fez perder qualquer crença na hipótese de ser acompanhada no público. Foi mesmo uma história muito peculiar (lá está, também tivemos pontaria, poderia ter-nos calhado um médico amoroso, mas não). O outro médico, diretor do serviço num hospital privado de referência, foi óptimo na minha opinião - ou foi o que precisava numa altura em que já nao acreditava muito nos tratamentos, ia arrastada e tentava ocultar os meus sentimentos, para não sofrer mais. Foi direto, sem grandes floreados, é para fazer isto assim, se resultar boa, se não, nova volta, mas será a última antes de fiv, porque o corpo não aguenta mais. Foi seco, mas foi o que precisei naquele dia, naquele mês. O tratamento falhou, voltámos à médica que nos segue desde o início (só recorremos a ele porque ela estava de férias), mas fiquei sempre com a dúvida se não deveríamos estar a ser acompanhados por alguém mais frio. Temos amigos a ser acompanhados por esse médico que odeiam em termos de relação pessoal, mas adoram em termos práticos. Nunca ninguém está satisfeito, é a verdade.

Nesta segunda ronda de tratamentos de infertilidade, quando queremos muito dar um mano/a à princesa e vemos os meses a passar e a passar, começo a pensar novamente no profissional que nos acompanha e no que será melhor. Só porque começo a quebrar. Até aqui, ainda me fui aguentando bem (sem choros nem nada, da primeira vez acho que chorava em todas as consultas), agora começo a sentir o desgaste.

É só um devaneio. Continuaremos com a querida doutora que nos tem acompanhado e recebido sempre com um sorriso. Simplesmente, há dias em que não nos apetece sorrir. Mas é só uma nuvem a passar, o sol volta a brilhar :)

 

Quando os tratamentos falham

Não era assim que queria começar este testemunho. Mas hoje é o que preciso de fazer. Hoje percebemos que falhou o terceiro tratamento. Quando entramos no hospital, vamos cheios de esperança. Quando nos deitamos para permitir a realização da ecografia, o coração dispara - estará o endométrio bom? E os folículos, haverá algum que tenha crescido? Doutora perde o sorriso que tanto a caracteriza e diz, hum, há aqui qualquer coisa que não percebemos, vai fazer umas análises. Análises feitas, eco remarcada para uns dias depois e muita força vai correr tudo bem! No dia da segunda eco, lá vamos nós, decerto vai correr tudo bem, vai ser desta! Só que não. E aí, lá vem a frustração. O porquê. A seguradora não ajuda, e deixou de comparticipar as consultas. Tudo em bom. Hoje a alegria foi-se. Mas só temporariamente. Amanhã acordaremos com energias renovadas e prontos para mais uma sessão de tratamentos!

Há tantos casais a precisar de tratamentos, a PMA que "frequentamos" está cada vez mais cheia. Grupos de partilha/apoio precisam-se. Não precisamos de guardar tudo para nós.